Redefinir a ansiedade… e como o corpo a dar uma ajuda!

Olá, quero partilhar contigo algumas ideias que tenho vindo a explorar esta semana.

Talvez já te tenhas sentido inundado pelo stress ou pela ansiedade – e sabes bem que dizer “tem calma” nunca resolve! Convido-te, pois, a descobrir como o teu corpo fala e como podemos aprender a ouvi-lo para transformar aquilo que sentimos.

Imagina-te num momento de sobrecarga, quando tudo parece demasiado e, em vez de encontrares calma, o teu corpo reage com tensão: os músculos ficam rígidos, a respiração torna-se curta e entras num estado de alerta constante – como se estivesses preso numa panela de pressão que já não aguenta mais. Por mais que os que estão à tua volta tentem acalmar-te ou que tentes pensar em coisas positivas, a mente não consegue desligar quando o corpo está em alerta.

Por isso, em vez de te esgotares a tentar acalmar-te com palavras e pensamentos, porque não deixas que o teu corpo te conduza por um caminho diferente? Recentemente, gravei um vídeo onde explico um exercício de gestão de energia que indico a quase a todos os meus clientes. Este exercício é simples, mas poderoso: aumenta a tua consciência corporal em zonas específicas, criando uma sensação de contenção – como se a tua caixa torácica ficasse mais sólida e ampla, tornando a tua “panela de pressão” mais capaz de gerir o que tem dentro.

  • Posiciona-te – sentado ou em pé, com os joelhos relaxados e os pés à largura das ancas – e junta as mãos à frente do peito.
  • Pressiona as palmas com firmeza, ativando os músculos do peito, dos braços e dos ombros.
  • Mantém essa pressão por cinco segundos, enquanto respiras suave e profundamente, e repete o movimento durante dois ou três minutos.

    Na Psicoterapia Bodynamic®, aprendemos que o corpo e a mente trabalham em conjunto – um não funciona sem o outro. Cada músculo tem uma função psicológica, e através da prática intencional de exercícios conseguimos aceder aos recursos que já tens, ajudando-te a transformar padrões emocionais enraizados.

    O que quero que leves contigo é isto: o teu corpo fala, e a tua mente tem muito a aprender com ele. Se estiveres aberto a experimentar estes exercícios e a prestar atenção aos sinais físicos, poderás descobrir novas formas de lidar com o stress e a ansiedade, transformando desafios antigos em recursos para uma vida mais equilibrada. Experimenta, ouve o teu corpo e deixa que ele te mostre o caminho.

    Estamos juntos nesta jornada rumo a um equilíbrio mais profundo entre corpo e mente.

    Como as experiências do passado moldam a nossas defesas

    Desde o início da vida, cada experiência que vivemos vai moldando o modo como nos relacionamos com os outros e com o mundo. Quando somos bebés e crianças, desenvolvemos uma série de estratégias de sobrevivência emocional para responder às situações que enfrentamos — sejam elas favoráveis ou desafiantes. Embora na altura essas estratégias sejam muitas vezes necessárias para nos proteger, quando usadas de forma repetida e inconsciente, podem tornar-se na nossa única forma de reagir, e mais tarde, na vida adulta, podem tornar-se padrões comportamentais rígidos que já não nos servem. Há uma expressão que diz que nem tudo é um prego, por isso é bom que tenhamos na nossa caixa de ferramentas mais do que um martelo para enfrentar a nossa vida!

    Na abordagem Bodynamic® relacionamos as várias fases de desenvolvimento com estruturas de caráter, que são uma espécie de código base de impulsos e comportamentos. Podemos ter um código mais fechado e com menos opções, ou seja, só sabemos reagir de uma forma, ou podemos ter um código mais aberto e ter mais liberdade na forma como nos relacionamos com os outros e como lidamos com os acontecimentos na nossa vida.

    Por exemplo, a fase da autonomia, entre os 8 meses e o ano e meio, emerge quando uma criança começa a descobrir a sua curiosidade, a ganhar as primeiras liberdades para explorar o mundo à sua volta e a seguir os seus impulsos. Se os cuidadores incentivam essa exploração e respeitam a curiosidade e a iniciativa da criança, ela sente-se segura para experimentar. Mas, se há resistência ou crítica a essa independência, a criança pode começar a conter-se, temendo falhar ou ser julgada. Como adultos, esta defesa aprendida vai manifestar-se ou como uma tendência para hesitar antes de agir, para depender de aprovação externa antes de tomar uma decisão ou até para se sentir paralisado perante tudo o que é novo. A defesa que serviu para a criança se proteger transforma-se numa limitação para o adulto.

    Um pouco depois chega a fase da vontade, dos 2 aos 4 anos, quando a criança procura afirmar-se e testar os seus limites. Se os cuidadores respeitam esse impulso e oferecem um espaço onde a vontade da criança é aceite, ela aprende a confiar na sua capacidade de escolha e decisão. No entanto, se essa expressão é constantemente reprimida, o adulto pode crescer a sentir que os seus desejos são irrelevantes ou que não merece lutar pelos seus objetivos. A defesa original de desistir em vez de se afirmar continua a bloquear o potencial de realização e autoafirmação.

    Na psicoterapia corporal, trabalhamos com estes processos não apenas de forma cognitiva, mas também ao nível físico, através dos vários músculos que estão associados a cada fase de desenvolvimento. Por exemplo, nos músculos que envolvem a expressão de autonomia e a afirmação da vontade, promovemos uma experiência onde o cliente pode sentir, no corpo, os padrões que foram construídos e, gradualmente, encontrar uma forma mais integrada de lidar com eles. Este trabalho físico facilita um processo de transformação consciente e sustentada, criando um equilíbrio entre a consciência mental e a experiência corporal.

    Como em todos os processos psicoterapêuticos nada acontece de um dia para o outro, é preciso abraçar o que as nossas defesas fizeram por nós, e gentilmente conduzir num caminho de novas possibilidades, onde há muito mais recursos ao nosso dispor. É um caminho que conduz à mudança e nos ensina muito sobre nós e desenvolve sem dúvida o sentido de autoestima.

    Ansiedade: O medo interno que te impede de viver plenamente

    Atualmente, quase todas as pessoas que chegam ao meu consultório apresentam sintomas crónicos de ansiedade, e por detrás dessa ansiedade estão os medos que não se veem. O medo é uma resposta natural e adaptativa a algo que nos ameaça, e embora possa estar associada a medos concretos (perder o emprego ou enfrentar uma situação social desafiadora), a ansiedade vai mais além. A ansiedade é uma resposta emocional complexa, surge de uma visão subjetiva e muitas vezes enraizada na nossa história pessoal e nas experiências emocionais que vivemos desde cedo.

    Dependendo de como processamos essas experiências, o medo transforma-se numa sensação contínua de insegurança que se espalha para outras áreas da vida. A ansiedade instala-se como uma lente distorcida através da qual a pessoa passa a ver o mundo, mesmo quando a ameaça não é real ou visível. Por detrás da ansiedade está sempre um medo – o medo de falhar, de não ser aceite, de desiludir. São medos que muitas vezes surgem de experiências precoces, momentos em que éramos realmente mais vulneráveis e indefesos e pode acontecer ficarmos “presos” nesse estado de fragilidade. Fica a cabeça e fica o corpo!

    A ansiedade (e todos os estados emocionais) manifestam-se no corpo, e está presente de várias formas: numa respiração curta e ofegante, nos ombros tensos e levantados, nas pernas rígidas e sempre prontas a “fugir”. Também muito comum são as dores de estômago, os intestinos desarranjados e outras perturbações digestivas. Estas reações são sinais de que o corpo está preso num estado de alerta constante. Já tive clientes que chegaram ao consultório ofegantes, com a voz mais aguda e acelerada. Se começarmos a sessão nesse estado, o tema que trazem tende a ser tratado de uma forma superficial, porque o corpo está em estado de alerta, não está disponível para nada mais a não ser reagir ao perigo. Começo por usar técnicas simples para aprofundar a respiração, ajustando a postura corporal para dar ao corpo uma sensação de apoio, presença e contacto com a realidade. São pequenos ajustes que ajudam a regular o sistema nervoso e alteram o forma como a pessoa está disponível para o resto da sessão.

    Na psicoterapia Bodynamic, um dos recursos que podemos trabalhar é o centramento, bem como a capacidade de gerir a intensidade dos estados emocionais. Exploramos a respiração, incentivando a expansão da caixa torácica, e envolvemos músculos específicos, como os da barriga e da zona lombar, para que a pessoa sinta que consegue “segurar” e conter o que está a sentir. É uma experiência muito sensorial e ajuda a pessoa a reconectar-se com o corpo, criando uma base mais estável para lidar com as emoções.

    Os resultados são visíveis ao longo do tempo, mas o processo é gradual. A ansiedade crónica, que está tão presente atualmente, não se resolve em poucas sessões. É necessário um trabalho de 6 meses a 1 ou 2 anos, dependendo do compromisso do cliente com o processo, para que as mudanças se tornem sustentáveis.

    A ansiedade também pode ser uma janela para uma maior compreensão de nós mesmos. Ao olharmos para as suas causas e manifestações no corpo, conseguimos transformar essa experiência subjetiva num caminho de crescimento e equilíbrio. A psicoterapia corporal oferece as ferramentas para integrar mente e corpo, permitindo que as pessoas não só compreendam cognitivamente os seus medos, mas também os sintam e transformem de dentro para fora.

    Se te identificas com um destes pontos, a psicoterapia corporal não é para ti!

    Embora a psicoterapia corporal tenha muitas vantagens, ela pode não ser adequada para todas as pessoas ou situações. Achei que seria uma boa ideia identificar alguns casos em que a abordagem corpo e mente pode não ser a melhor, falando obviamente a partir da minha experiência e aprendizagem com a Bodynamic :

    1. Resistência a Intervenções Corporais: Pessoas que se sentem desconfortáveis com o trabalho corporal, toque físico ou exploração somática podem não beneficiar plenamente desta abordagem.
    2. Problemas Psiquiátricos Graves: Pessoas com condições psiquiátricas severas, como psicoses agudas, esquizofrenia não controlada ou transtornos de personalidade graves, podem precisar de intervenções médicas e terapêuticas mais intensivas e especializadas.
    3. História de Trauma Relacionada ao Corpo: Indivíduos com traumas significativos relacionados ao corpo, como abuso físico ou sexual, podem entender a abordagem somática como desencadeante ou invasiva. Nesses casos, é crucial um trabalho muito cuidadoso e gradual, ou a preferência por outras formas de terapia que não envolvem tanto o corpo no início do tratamento.
    4. Desinteresse em Exploração Somática: Aqueles que preferem métodos exclusivamente cognitivos ou verbais para a terapia podem não encontrar valor numa abordagem de corpo e mente.
    5. Problemas Médicos Não Diagnosticados: Antes de se iniciar qualquer tipo de terapia corporal, é importante descartar problemas médicos não diagnosticados que possam ser exacerbados pelo trabalho corporal.
    6. Fase Inicial de Tratamento de Dependência: Em estágios iniciais de tratamento de dependências severas, pode ser mais apropriado focar em estabilização e intervenções específicas para a dependência antes de introduzir técnicas somáticas.
    7. Expectativas Irrealistas: Pessoas que esperam resultados rápidos ou milagrosos podem ficar frustrados, pois a psicoterapia corporal, como qualquer outra forma de terapia, pode requerer tempo e comprometimento. É válido para todas as abordagens psicoterapêuticas.

    Em qualquer abordagem terapêutica, a adequação deve ser avaliada caso a caso, considerando as necessidades, conforto e preferências da pessoa, bem como a experiência e formação do terapeuta. No meu caso particular trabalho em equipa com outros psicoterapeutas corporais, mas também psicólogos clínicos, psicoterapeutas de abordagem cognitiva e comportamental e EMDR ou Experiência Somática. Isto quer dizer que mesmo que o meu trabalho não seja o mais indicado para ti, poderei encaminhar-te para um colega e ficarás na mesma em boas mãos!

    Em que é que a psicoterapia corporal é diferente de outras abordagens?

    A abordagem Bodynamic, uma das várias correntes de psicoterapia corporal, oferece várias vantagens em relação às psicoterapias convencionais, especialmente para pessoas que têm uma forte conexão mente-corpo ou que beneficiam de abordagens somáticas, mais integradoras, e abordo contigo algumas dessas diferenças, ou vantagens na minha perspetiva:

    Integração Corpo-Mente: Ao abordar diretamente o corpo, a Piscoterapia Bodynamic facilita a libertação de tensões e trauma armazenados no corpo, algo que nem sempre é acessível apenas através da fala.

    Autoconsciência Corporal: Ajuda os clientes a desenvolver uma maior consciência do seu corpo, o que pode levar a uma melhor autorregulação emocional e física.

    Acesso a Memórias Corporais: Muitas experiências traumáticas ou emocionais são armazenadas no corpo. O trabalho corporal pode ajudar a aceder e processar essas memórias de uma forma que a terapia verbal pode não conseguir.

    Trabalho com Emoções Intensas: Técnicas corporais podem ser particularmente eficazes para trabalhar com emoções intensas como raiva, medo e tristeza, proporcionando um canal seguro para sua expressão e libertação.

    Resolução de Traumas: Abordagens somáticas podem ser especialmente úteis na resolução de traumas, oferecendo ferramentas para libertar traumas armazenados no corpo, memórias que permanecem no sistema nervoso e restaurar um sentido de segurança e integridade física.

    Equilíbrio Muscular e Psicológico: O mapeamento detalhado dos músculos e suas associações emocionais permite uma abordagem muito precisa para restaurar o equilíbrio tanto no nível físico quanto emocional.

    Intervenções Integrativas: Combinando o trabalho corporal com intervenções verbais e psico-educativas, proporcionamos uma abordagem holística que pode ser mais eficaz para certas pessoas, quer sejam mais emocionais ou mentais.

    Aumento da Energia e Vitalidade: Ao libertar tensões corporais e emocionais, é comum que os clientes experienciem com frequência um aumento na energia e vitalidade geral.

    Desenvolvimento Pessoal: Facilita um crescimento pessoal mais profundo ao explorar padrões corporais e emocionais desde o desenvolvimento infantil, ajudando as pessoas a compreender melhor suas reações e comportamentos.

    Resiliência e Autoconfiança: O foco no desenvolvimento de uma imagem corporal positiva e na resolução de traumas pode aumentar a resiliência e a autoconfiança dos clientes.

    Em resumo, considero que a abordagem terapêutica que integra o corpo é bastante mais completa, e em particular a Psicologia Bodynamic que é a minha formação, oferece uma gama de ferramentas e técnicas que podem complementar ou, em alguns casos, superar as psicoterapias convencionais, especialmente para aqueles que respondem bem a intervenções somáticas e que procuram uma abordagem mais integrada e holística para o bem-estar emocional e físico.

    Que tipo de questões podemos trabalhar na psicoterapia corporal?

    A abordagem da Psicoterapia Bodynamic pode ser aplicada numa ampla gama de temas e questões emocionais, psicológicas e comportamentais, e identifico a seguir alguns dos mais comuns para que analises se te pode servir:

    • Ansiedade e Stress: Redução de sintomas de ansiedade e stress através de técnicas de relaxamento muscular e respiração.
    • Traumas de Desenvolvimento: Exploração e resolução de traumas e interrupções no desenvolvimento emocional e psicológico desde a infância.
    • Traumas e PTSD: A libertação de traumas armazenados no corpo e a recuperação de experiências traumáticas através do trabalho muscular e da consciência corporal.
    • Depressão: Ajuda a aliviar sintomas depressivos ao trabalhar com o corpo para libertar tensões e promover uma sensação de vitalidade e bem-estar.
    • Problemas de Relacionamento: Melhoria da comunicação, aumento da empatia e resolução de conflitos através da compreensão de como as experiências corporais e emocionais influenciam as interações interpessoais.
    • Autoestima e Autoimagem: Desenvolvimento de uma imagem corporal positiva e aumento da autoestima ao explorar e integrar experiências corporais.
    • Desenvolvimento Pessoal e Autoconhecimento: Aprofundamento do autoconhecimento e crescimento pessoal através da exploração dos padrões corporais e emocionais.
    • Problemas de Raiva e Agressão: Gestão de emoções intensas como raiva e agressão, promovendo formas saudáveis de expressar e processar essas emoções.
    • Questões de Identidade e Transições de Vida: Apoio em momentos de transição e crises de identidade, ajudando o indivíduo a encontrar equilíbrio e clareza.
    • Distúrbios Alimentares: Trabalhar com a relação entre corpo e alimentação, ajudando a desenvolver uma relação mais saudável com o próprio corpo e os alimentos.
    • Sintomas Psicossomáticos: Alívio de sintomas físicos que têm uma origem emocional ou psicológica, através da conexão entre mente e corpo.

    A abordagem Bodynamic é especialmente eficaz para aqueles que respondem bem a intervenções somáticas e que estão abertos a explorar a conexão entre suas experiências corporais e emocionais.

    Respira fundo, toma consciência das tuas nádegas na base do assento e como as costas se apoiam na cadeira. Faz subir e descer a tua respiração ao longo de uma linha imaginária entre o topo da cabeça e a base do cóccix. Depois de alguns minutos avalia como te sentes e que sensações este exercício de despertou. Podes ter ganho consciência que a psicoterapia corporal faz sentido para ti!

    Encontro Sistémico “Relações amorosas, o espelho que nos ensina”

    O Amor é um dos sentimentos mais complexos da nossa experiência humana, que nos envolve, inspira e nos desafia de maneiras profundas e transformadoras. Na tua jornada pessoal, as relações amorosas são o espelho que reflete a tua própria complexidade, desejos e feridas ocultas. Se este tema te faz sentido agora, convido-te para um dia de autoconhecimento, crescimento emocional e conexão genuína.

    Num espaço seguro e acolhedor vou unir práticas de constelações sistémicas e familiares, consciência corporal, exercícios somáticos e de libertação emocional. Vamos ainda falar do papel que o Amor e a Relação Amorosa têm no nosso caminho de evolução e aprendizagem, e vamos usar a linguagem simbólica da Astrologia, para perceber os nossos desafios individuais. O objetivo é despertar uma maior consciência dos padrões que adotamos nas nossas relações amorosas, explorando o que procuramos no outro que ainda não encontramos em nós mesmos e como o outro pode ser o nosso espelho, trazendo à tona aspetos que precisamos enfrentar.

    Este encontro é para aqueles que desejam abrir-se para a experiência do Amor de forma autêntica e fluida. Quer estejas atualmente num relacionamento, procurando aprofundar e fortalecer os laços, quer tenhas terminado um relacionamento e queiras uma nova perspetiva sobre o que realmente te desafiou, ou estejas disponível para uma nova conexão amorosa, este encontro é teu. Os exercícios são individuais, permitindo que cada participante mergulhe na sua própria jornada pessoal, mas também oferecem a oportunidade de adquirir insights valiosos para o trabalho em casal.

    Junta-te a mim num ambiente seguro, íntimo e emocionalmente envolvente e vamos explorar os desafios e as possibilidades que as relações amorosas trazem consigo, transformando-as em terreno fértil para crescimento e conexão autêntica.

    Prepara-te para desvendar novas perspetivas sobre ti, as tuas necessidades e expectativas, e desbloquear o potencial das tuas relações amorosas. Este é um convite para abraçar a jornada do Amor, trazendo à tona a sabedoria e a força interior que residem dentro de ti.

    INSCRIÇÃO NESTE LINK

    Informações:
    9 julho, Leiria (R. Virgílio Monteiro, n2 – Ed. JF Pousos)
    10h às 18h (com pausa para almoço)
    Valor por participante – 60 euros
    Para além da participação em todas as atividades, inclui uma oferta de boas-vindas, café, chá e bolinhos durante a manhã e tarde.
    O valor é pago no ato da reserva. Em caso de impossibilidade de comparência o valor reverte para um dos outros encontros a realizar.
    (Em caso de participação em casal há um desconto de 10 euros por pessoa)

    Outros encontros:
    10 Setembro 2023 – Doença, Cura e Aprendizagem
    12 Novembro 2023  – Pai, criar e concretizar
    14 Janeiro 2024 – Propósito, Missão e Dons
    10 Março 2024 – Criança interior, acolher para crescer
    *algumas datas podem sofrer alterações

    As vagas são limitadas para garantir um ambiente intimista e seguro. Reserva o teu lugar hoje mesmo e permite-te explorar o que o Amor tem para te ensinar. (Link)

    Encontro experiencial e sistémico “Mãe, fonte de vida”

    Neste encontro de um dia vamos aceder ao nosso mundo interno e explorar a primeira relação que estabelecemos na nossa vida, a relação com a Mãe. A ligação que é também o vínculo à Vida e que influencia a nossa experiência no mundo e a relação com os outros.

    Vamos explorar o arquétipo da Mãe, vamos conhecer a linguagem simbólica da Lua, vamos falar de Vida, de Amor, de Prosperidade, Alegria e Criatividade, e como todos estes conceitos se relacionam com a relação materna.

    Pela perspetiva sistémica desvendamos os padrões da nossa ancestralidade e linhagem materna, através da meditação procuramos os sentimentos profundos que ficaram por expressar, pela linguagem da geometria sagrada e das mandalas manifestamos a relação que queremos construir a partir da nossa versão adulta, serenando as mágoas da nossa criança interna.

    Neste encontro iremos utilizar ferramentas das constelações familiares, meditação guiada, iremos explorar um pouco da linguagem da astrologia clássica e arquétipos, e ainda trabalhar com geometria sagrada e mandalas.

    Junta-te a mim neste encontro que preparei para explorar o que é inconsciente neste relacionamento e aprofundar a conexão com a tua Mãe, com a tua história e contigo.

    INSCRIÇÃO NESTE LINK

    Informações:
    14 de Maio, Leiria (R. Virgílio Monteiro, n2 – Ed. JF Pousos)
    10h às 18h (com pausa para almoço)
    Valor por participante – 60 euros
    Para além da participação em todas as atividades, inclui uma oferta de boas-vindas, café, chá e bolinhos durante a manhã e tarde.
    O valor é pago no ato da reserva. Em caso de impossibilidade de comparência o valor reverte para um dos outros encontros a realizar.

    Outros encontros*:
    9 Julho 2023 – Relações Amorosas, o espelho que nos ensina
    10 Setembro 2023 – Doença, Cura e Aprendizagem
    12 Novembro 2023  – Pai, criar e concretizar
    14 Janeiro 2024 – Propósito, Missão e Dons
    10 Março 2024 – Criança interior, acolher para crescer
    *algumas datas podem sofrer alterações

    As vagas são limitadas e preenchidas por ordem de reserva, faz hoje a tua inscrição usando este link >> INSCRIÇÃO

    De que é falo quando me refiro à abordagem sistémica ou terapia familiar?

    A terapia ou abordagem sistémica diz respeito ao trabalho que é feito para repor o equilíbrio e a ordem relacional num sistema, e por sistema pode entender-se um grupo de pessoas que se relaciona com um propósito comum. Habitualmente encontramos referências a esta abordagem no contexto familiar, mas a verdade é que a abordagem e visão sistémica permite trabalhar com as questões relacionais, quer elas ocorram no seio familiar ou numa equipa ou empresa. Esta visão permite trabalhar a dinâmica entre os elementos de um grupo, de um casal ou de uma família, tornando a relação mais fluida e equilibrada.


    O que é uma constelação sistémica ou familiar
    As constelações sistémicas e familiares são uma ferramenta da terapia sistémica, que ajuda o cliente a ganhar uma nova perspetiva sobre a sua dinâmica relacional, introduzindo uma possibilidade de consciência e de mudança. O cliente traz um tema ou assunto que gostaria de ver resolvido, e chega com tudo o que nele é consciente, o que sabe, o que aprendeu, o que lhe disseram, o que experienciou, etc.

    Acontece que, por debaixo do que é e está na consciência, há processos e padrões inconscientes ou desconhecidos, que levam a determinados sentimentos, comportamentos e são influenciadores da qualidade da relação. O trabalho da terapia sistémica é ajudar o cliente a compreender os fios invisíveis que movem as suas relações familiares ou profissionais, para que aquilo que é inconsciente possa ser consciente e assim trabalhado efetivamente.

    Ninguém consegue atuar perante uma situação que desconhece e só o que é consciente pode ser transformado.

    Quando falamos de constelações familiares, falamos de um processo de cura de dinâmicas familiares dolorosas, tóxicas ou opressoras, que, tal como num iceberg, têm muito mais escondido do que à superfície.
    Imaginem este cenário, de uma pessoa que verbaliza “na minha família os meus pais claramente preferem a minha irmã e diminuem-me constantemente…” este será sempre um cenário demasiado simplista para corresponder à realidade, mas uma autoestima fragilizada pode acreditar piamente nesta versão redutora.

    Uma questão desta natureza terá claramente muito de escondido e oculto, pois haverá algo neste sistema familiar que suscitou um desequilíbrio no fluxo amoroso entre pais e filhos.

    Trazer luz ao que está escondido, dar uma nova e alargada perspetiva ao cliente que nos chega com esta dificuldade, é o trabalho sistémico, de olhar para as relações à luz do todo, e trazer ao de cima o que é inconsciente.

    Pais separados e os seus filhos, um olhar sistémico que apazigua!

    Dizer que as relações humanas são complexas é por demais óbvio e quando um casal com filhos toma a decisão de se separar, eles terminam a sua relação amorosa, mas não terminam a relação enquanto pais dos seus filhos. Eles continuarão unidos pelo ato de amor que deu origem a uma nova vida. E quando entre o casal permanece uma situação de conflito e animosidade, os filhos ficam muitas vezes reféns deste conflito. Mas isto não é novidade, qualquer pessoa conhecerá certamente um casal separado em que por vezes a relação com os filhos também se revela difícil, seja com um ou com ambos os pais. Não precisamos de falar em situações extremas como casos de alienação parental, ou de utilização dos filhos como armas de arremesso.

    Por vezes o ex-casal até pode conseguir manter um certo nível de cordialidade, e depois observar-se uma relação difícil e tensa entre pais e filhos.

    E de onde pode vir esta dificuldade? O que é a que visão sistémica traz de novo a esta dinâmica familiar? E de que forma a consciência do equilíbrio sistémico pode apaziguar estes relacionamentos tensos?

    O filho resulta do amor da mãe e do pai, e encerra em si a união entre a linhagem materna e a linhagem paterna. Biologicamente o filho é metade mãe e metade pai, epigeneticamente também resulta da união dos padrões familiares maternos e paternos, é metade memória celular de mãe e pai, é metade da história de cada um e dos seus ancestrais.

    Acontece por vezes que, depois de uma separação que é sempre difícil, o pai fica com mágoa da mãe ou a mãe com mágoa do pai, fica entre eles ressentimento e até raiva ou ódio. Quando olham para o filho vêm a manifestação do que eles agora repudiam.

    Atenção que este é um processo totalmente inconsciente, nunca é racional, cognitivo nem consciente. Por vezes no meio de uma discussão vem o remate “és tal e qual o teu pai” ou “és mesmo igual à tua mãe”, transmitindo essa repulsa inconsciente do que o filho representa. O pai ou mãe, prisioneiros das suas mágoas, projetam no filho a dor em relação ao outro progenitor, porque deixaram de se conseguir conectar com o amor que lhe deu origem.

    Quando trabalhamos um sistema familiar trabalhamos essencialmente com o que são processos inconscientes que depois se manifestam em atos, comportamentos e na personalidade de cada membro da família. Um relacionamento difícil com um filho pode facilmente ser atribuído à personalidade deste, à idade ou o momento que atravessa… como é o caso de um adolescente que desafia a autoridade do pai ou da mãe. Mas a experiência com a terapia das constelações familiares vem nos demonstrar na prática em consultório que poucas vezes é esse o caso. Há quase sempre um movimento inconsciente que se sobrepõe.

    Os sistemas tendem para o equilíbrio, sempre, é essa a Teoria Geral dos Sistemas.
    Então se, com a separação do casal, o sistema entrou em desequilíbrio, se um ou ambos os membros do casal deixou de honrar o lugar que o outro teve e continuará a ter, se o casal deixar de reconhecer o Amor que já os uniu, o filho ficará “ao serviço” desse sistema, manifestando a dificuldade relacional até que o equilibro seja reposto.

    Quem faz consultas ou formação comigo sabe que gosto muito de metáfora e analogias que ajudem as pessoas a compreender um determinado processo. Então, quando quero explicar como funciona este inconsciente familiar que parece “comandar” o comportamento dos seus membros, eu explico que o inconsciente familiar, o inconsciente deste sistema que deseja alcançar o equilíbrio é assim como um programa de computador a correr em paralelo, um sistema operativo que permite que os outros programas corram normalmente. Mas o sistema operativo, mesmo que não saibamos, está a sempre a cumprir a sua função e pode interferir com o normal funcionamento de outros programas, sem que nos apercebamos de que o problema não está no programa, mas sim na base do funcionamento do sistema.

    O que aqui refiro é muito comum surgir em consulta ou numa sessão de grupo, um tema de relacionamento difícil com os filhos, e quando colocamos os representantes, percebemos que um dos pais, ou ambos, manifestam, rancor, mágoa ou repúdio perante o filho. Nesta situação, introduzimos o outro membro do casal e redirecionamos estes sentimentos para o foco devido. E depois, procuramos que o representante do pai e da mãe se conectem com o que os uniu, que se voltem a ligar ao Amor que já sentiram e à historia que os uniu… e quando isso acontece, então o filho passa a representar apenas o fluxo do Amor. A partir desse momento o filho é livre, pois já não tem de estar “ao serviço” da relação entre os pais, e pai e mãe são livres também para integrarem na sua dinâmica atual o que a relação teve de difícil, mas sem abdicar da conexão de Amor que os uniu.

    Espero que esta visão ajude quem me lê a olhar para a dinâmica familiar de uma forma mais ampla e abrangente, em que todos os elementos se relacionam e são interdependentes. E se conhecer algum caso em que este processo possa ser particularmente útil, por favor partilhe!

    A corrente invisível dos segredos familiares.

    Todas as famílias têm segredos, não conheci até hoje nenhuma exceção… Com as suas dinâmicas muito próprias, é comum encontrar no seio familiar e entre gerações, histórias mal contadas, pessoas de quem não se fala ou acontecimentos simplesmente apagados dos registos!

    Somos todos seres emocionais e lidamos mal com sentimentos difíceis e por isso, por vezes, é mais fácil enterrar algo e fingir que nunca aconteceu, do que nos confrontarmos com a dor, a desilusão, a zanga ou a vergonha. Porque isso muitas vezes implicaria lidar também com a nossa autorresponsabilidade e porque nos obriga a confrontar crenças, valores e noções muito vincadas de errado ou certo, que não vemos compatibilizadas com as relações familiares.

    E que segredos podem ser estes? Vou enumerar alguns e enquanto os fores lendo toma atenção a sinais que possam surgir no teu corpo, um aperto no peito ou na barriga, um eriçar dos pêlos, um arrepio na coluna ou um frio repentino… o teu corpo é um janela aberta para o inconsciente e ele está sempre à espera de uma oportunidade de se manifestar… e pode estar a dar-te uma pista do que, na tua família e em ti, precisa ser visto.

    Filhos que não nasceram, abortados voluntaria ou naturalmente, crianças adotadas ou abandonadas, casos de traições, relações extraconjugais ou segundas famílias, casos de violência doméstica ou acontecimentos trágicos que trouxeram desgraça a alguém. As famílias também omitem pessoas excluídas pelo seu comportamento, uma tia-avó que largou o marido quando isso era impensável na sociedade, escondem um bisavô que era contrabandista ou alguém que foi preso por um crime grave. Ocultam histórias de guerra, de agressores e vítimas que ficam para sempre interligados, de sentimentos de culpa que nunca se apagam, escondem pais e filhos de costas voltadas… as famílias escondem o que lhes dói, o que lhe parece demais para ultrapassar. E acreditam que é dessa forma que se protegem e que se tornam mais unidas e coesas.

    Mas os segredos têm a particularidade de não gostarem de estar escondidos, e nas famílias eles vão encontrar um caminho para serem vistos, reconhecidos e resolvidos… Bert Hellinger usa uma frase com a qual eu me conecto profundamente:

    “os sofrimentos familiares são como elos de uma corrente, que se repetem de geração em geração, até que um descendente tome consciência e transforme a maldição em bênção.”

    Bert Hellinger

    Sabem aquela sensação de entrar numa sala em que o ambiente está tenso, mas nós não sabemos o que se lá passou? Não sabemos explicar, mas sentimos um desconforto e esse desconforto vai condicionar o nosso comportamento. Podemos ficar menos faladores, podemos nos ir sentar perto da pessoa que nos pareceu mais triste ou afastar-nos de alguém mais zangado ou de semblante carregado, mesmo sem nunca sabermos o que ali se passou. A partir daí criamos uma dinâmica com o grupo nessa sala e ao fim de um tempo não voltamos a pensar que fomos influenciados pelo ambiente que se sentia na sala, no dia em que lá chegámos pela primeira vez.

    É o que acontece quando chega um novo elemento à família. A criança que nasce no seio de uma família tem uma perceção, obviamente inconsciente, das suas dinâmicas, daquilo que não é dito, daquilo que foi escondido… e a partir daí, ela vai crescer e desenvolver-se de acordo com o que “encontrou”, como se não fosse livre de, por si só, agir de outra forma. Esse condicionamento vai crescendo e pode gerar na vida adulta problemas nos relacionamentos, bloqueios e medos que a pessoa não consegue explicar. Como se a pessoa se sentisse “presa” a algo que não sabe o que é, mas que sabe que a condiciona.

    E como não tem consciência não vê o que pode fazer de forma diferente.

    Mas o que as pessoas vêm como bloqueios é o exatamente o que Bert Hellinger descreve como bênçãos. Porque o que é trazido à luz se desvanece, quem se predispõe a trabalhar um destes elos ocultos da sua história familiar, transforma a prisão em liberdade, para si e para as gerações futuras. E é essa força de ancestralidade e de perpetuidade que torna o trabalho com sistemas familiares tão profundamente gratificante!

    Se algum trecho deste texto ecoou em ti, respira e reflete. Pode ter chegado até ti a consciência de algo que quer ser visto.

    O propósito de vida e o trabalho

    O propósito de vida e o trabalho

    Esta tema surgiu há dias numa formação, mas recebo e conheço muitas pessoas com esta mesma inquietação… eu própria já partilhei dela em tempos. Muitas pessoas se questionam sobre qual é o seu propósito de vida e procuram a insondável resposta para a pergunta: “o que é que eu vim cá fazer” ou “o que é que é suposto eu fazer”… e em boa parte das vezes, quando colocam esta questão, estão a referir-se ao trabalho, à carreira. Querem saber o que é que nasceram para fazer, idealizando que esse trabalho, a sua carreira, representa o caminho para a completude que procuram.

    Não procurem mais que eu posso já dar-vos a resposta: o propósito de vida, o vosso e o de todos nós é muito simples, é viver. É entrar neste fluxo da vida, experienciando cada momento da forma mais plena possível.

    A vida é o nosso bem mais precioso, estarmos aqui, respirar, sentir o coração a bater, relacionarmo-nos com outros seres, experienciar e viver, com todas as dores e desafios que isso acarreta. É dar continuidade à vida que nos foi dada, usufruindo dela, gerando mais vida e crescendo com os outros.

    Atualmente associamos muito a nossa realização pessoal à nossa carreira, à concretização de objetivos profissionais e desempenho, e talvez por isso procuremos no trabalho o sentido que vida deve ter. A vida é para ser vivida, contemplada, agradecida, é para falharmos, cairmos, aprendermos, crescer e evoluir para depois falhar de novo. Não levamos nada desta vida a não ser as aprendizagens que fizermos, a não ser as nossas experiências e a evolução que formos fazendo ao longo do caminho. E isso faz-se com trabalho sim, mas trabalho interno, pessoal e individual. O meu projeto de vida sou eu!

    O trabalho não tem de ser o propósito de ninguém, e quero acreditar que não é o propósito de ninguém. Não sei bem quem criou tudo isto (tenho a minha teoria não se enquadra neste artigo), mas um planeta tão bonito, com árvores e mar, flores e música e arte… tanta coisa para usufruir e nós vivemos para trabalhar? O trabalho até pode servir para as aprendizagens que temos de fazer, mas não servem de propósito.

    O meu propósito é ser mais pleno, mais agradecido, mais compassivo, consciente, acreditem que este é o maior desafio de carreira de todos os tempos. A forma como trabalhamos para cuidar da nossa subsistência, para garantir a nossa vida nas melhores condições possíveis é só uma parte da nossa experiência de vida.

    Já sei o que vão dizer, que é legítimo querer ter realização e prazer no trabalho que se faz, claro que sim, e concordo. Podemos querer ter realização e prazer no trabalho, mas isso é mais uma atitude perante a vida, que depois se reflete na forma como trabalho e como me coloco ao serviço dos outros. No outro dia davam-me o exemplo de um senhor que trabalha nas portagens da ponte 25 de abril, e que recebe todos os que por ali passam com um sorriso e uma palavra amiga. Será que esta pessoa tinha como propósito ser portageiro? Ou será que a atitude grata e acolhedora que ele tem no trabalho é um reflexo da forma como ele vê a vida?

    Não interessa o que se faz, mas sim o que temos em nós. É da vida que se deve extrair o maior dos prazeres, da forma como damos o ombro a um amigo, acolhemos as dúvidas de um filho ou contemplamos uma paisagem. Algures algo ou alguém nos deu esta dádiva que é a possibilidade de estarmos hoje aqui. Vamos agradecer “educadamente” esse presente” 😉

    A árvore não se preocupa com seu propósito… ela alimenta-se da terra, aprecia a luz do sol, aquieta-se para deixar poisar os pássaros

    E um dia, sem saber bem como, o fruto nasce e a árvore cumpre-se.

    E se tudo o que me foi dado for perfeito?

    De vez em quando, tenho aquilo a que resolvi chamar de “semana temática” que basicamente é a forma como, ao longo de uma sequência de dias, em diversas situações da minha atividade profissional, eu deteto um padrão, ou neste caso um tema partilhado por boa parte daqueles com quem me cruzo. Esta foi uma dessas semanas, em que tanto em atendimento individual de coaching, tanto em trabalho sistémico, como em formação e até em conversa com amigos, o tema teve a ver com a reflexão de cada um em relação aos seus pais.

    O que era comum à reflexão que todos partilhavam era a consciência de que os seus pais não lhes tinham dado tudo o que precisavam, ou tudo o que mereciam, ou na medida desejada, apesar de todos reconhecerem que estes haviam feito o melhor que sabiam e que lhes tinha sido possível. Que sim senhor e muito bem, fizeram o que sabiam e podiam, mas que sirva esta reflexão para que “eu” não cometa os mesmos erros!

    E assim se arruma a reflexão da nossa origem, com uma complacência perante os pais, em que sentimos que, do alto da nossa infinita sabedoria, reconhecemos que eles deram o seu melhor, e com isto ficamos como que ligeiramente superior a eles, por termos chegado a essa magnífica compreensão.

    Só que, ao refugiarmo-nos neste pensamento, temos por um lado o pensamento que devíamos de ter tido algo que não tivemos, que devíamos ter recebido um pouco mais do que recebemos, que algo que devia ter sido feito e não foi. Ou seja, na verdade, o pensamento de que aquilo que foi dado não foi suficiente. Os meus pais deram-me amor, mas foram muito rígidos, os meus pais nunca me faltaram com nada, mas nunca fui muito acarinhado, a minha mãe amou-me muito, mas era muito protetora…. Se há coisa que nos ensinam em coaching é a importância do uso da linguagem, é que o “mas” apaga sempre o que foi dito primeiro.

    Se eu sou fruto de todas as minhas circunstâncias, se eu sou o resultado do que me foi proporcionado – sem mas – então, quando eu acho que podia ter recebido mais, eu acho também que hoje eu poderia ser mais, ou melhor ou ser outro que não eu.

    Se eu acho que os meus pais cometeram erros, então eu hoje sinto-me fruto desses erros. Então, quando eu não aceito o que me foi dado, na exata medida que me tornou naquilo que sou hoje, então eu não aceito ser quem sou hoje.

    Se eu não aceito a vida, tal como ela me foi dada e tal como ela me foi proporcionada, então eu não aceito a vida que tenho. E não há forma nenhuma de fazer um caminho em direção ao futuro, que não implique a total aceitação e integração do que sou hoje.

    Aceitar o que sou hoje não implica não querer mudar ou não querer ser melhor no futuro. Aceitar o que se é hoje é assumir a vida que se tem, assumir a própria responsabilidade pelo que fizemos com o que nos foi dado, a responsabilidade pelas minhas escolhas, pelas minhas emoções.

    E se… o que os meus pais me deram for suficiente?

    E se… tudo o que fizeram foi o certo e o correto para eu ser quem sou hoje?

    Se não se comprova num tubo de ensaio, existe?

    Quando amigos e conhecidos se cruzam comigo na rua, principalmente se não nos vemos há muito, é comum surgir aquela conversa do “então o que é que tens feito?”… e essa pergunta comigo, dá pano para mangas! Não apenas porque estou sempre a fazer muita coisa, mas em grande parte pelo “tipo” de coisas que vou fazendo.

    Quando digo que estudei e trabalho com Astrologia, quem melhor me conhece e sabe do meu percurso profissional na área do marketing e da comunicação, estranha a temática distante, engelha a testa, torce o nariz, e saca logo da pergunta da praxe: “mas tu acreditas nisso, isso é uma coisa que se pode provar?” Como se, só aquilo que se pode provar num laboratório, definir num cálculo ou observar num microscópio, fosse passível de ser objeto de estudo.

    As ciências exatas são fenomenais, trouxeram-nos muito conhecimento, muita inovação e muita tecnologia, e vivemos rodeados dos reflexos da matemática, da física, química ou biologia. Ciências assentes em predições precisas, métodos rigorosos e resultados quantificáveis. Mas o mundo é só feito de ciências exatas? Só pode existir algo que se tenha observado num tubo de ensaio?

    As ciências sociais e humanas são igualmente admiráveis, abordam os inúmeros aspetos e perspetivas que rodeiam o homem, como indivíduo e como ser social. Áreas de estudo como a antropologia, sociologia, filosofia e psicologia trouxeram uma evolução de pensamento e um enriquecimento social que não pode ser negligenciado.

    Estas não são ciências exatas, não são contas de somar ou dividir… são áreas de estudo, que nunca se esgotam, que se questionam a si próprias, como todas as ciências, e que estão em permanente evolução. É neste enquadramento que também incluo a Astrologia, uma área de estudo que observa os movimentos no cosmos, e analisa e interpreta a forma como isso influi a humanidade e os indivíduos.

    Não deixa adivinhar o futuro como uma bola de cristal, mas deduz cenários, acontecimentos e contextos prováveis, da mesma forma que na área da Economia se preveem crescimentos, inflações e deflações. Quantos estudos económicos falharam redondamente as suas previsões, sem que isso colocasse em causa toda a área de estudo? Da próxima vez que encontrar um economista, um filósofo ou um antropólogo também lhe vou perguntar: “mas tu acreditas nisso?” – não vou nada, estou a ser irónica!

    Isto serve para dizer que o problema é a Astrologia estar envolta de véus de misticismo, esoterismo e ocultismo, que em boa verdade lhe roubaram credibilidade na sociedade atual. Como se o facto de um tema ser menos conhecido, aparentemente menos estudado, ou menos difundido, o tornasse inválido.  Pois tempos houve em que um Mestre não se considerava sábio se não versasse várias áreas de estudo, onde a Astrologia se incluía; não havia ciência sem perceber o Céu e a Terra!

    A Astrologia é uma poderosa ferramenta de autoconhecimento e de aprendizagem sobre o mundo e tudo o que nele acontece. Conhecer o mapa astrológico é ter mais informação sobre o caminho que temos pela frente na vida, é podermos viajar dentro de nós e mais facilmente chegar ao fim do ciclo com um propósito cumprido. Infelizmente, ao longo dos séculos, foram muitas as instituições (não só, nem apenas as instituições religiosas) que, preferindo sociedades e indivíduos que não pensam nem questionam, trabalharam para manter o conhecimento oculto, inacessível e inalcançável.

    Mas, como qualquer semente deitada ao solo, a Astrologia sempre arranjou forma de furar a Terra e ver a Luz, através de todos os que a estudam há milhares de anos.

    O coaching está na moda, mas ainda não o suficiente!

    Há já alguns anos que começámos a ouvir falar de coaching, primeiro de forma esporádica, com meio mundo a não saber do que se tratava, ou a achar que era algo para os desportistas, mais tarde uma coisa do meio empresarial de topo… mais tarde, com as diversificação das certificações de coaching em Portugal, assistimos a um proliferar de profissionais, que desbravaram caminho, e chegamos hoje a uma oferta imensa, talvez até excessiva para o atual mercado nacional.

    Mas o que acontece é que ainda muita gente acha que coaching são frases feitas que se partilham nas redes sociais, e clichés fáceis do tipo: “se tu queres, tu consegues!” ou “a tua vida muda, quando tu mudas”… não é que não acredite no que dizem as frases, mas que treta, coaching não é nada disso! Querer, não chega, nem para a encomenda! Sonhar, por si só, não é suficiente! Fazer, isso sim, já dá para qualquer coisa… Mas convém saber o que se faz, como se faz, quando se faz!

    Se o coaching está na moda e anda meio mundo a partilhar frases inspiradoras e textos motivacionais, então por que raio não estamos todos ricos, magros, famosos, ou lá o que seja o sonho de cada um? Porque meio mundo prefere partilhar frases, deitá-las pela boca fora, em vez de se sentar a efetivar um plano para a sua vida, e para as pequenas metas que gostarias de cumprir.

    Centenas, provavelmente milhares de pessoas, frequentam formações, palestras, seminários, workshops, fórmulas mágicas anunciadas em pacotes de 3 horas e toma lá 25 euros! A malta sai de lá aos pulos, coração acelerado, cheio de vontade de mudar de vida, emprego ou namorada… e mais ou menos 48 horas depois está em frente ao ecrã a partilhar frases bonitas… novamente. Seria de esperar que, com o coaching na moda, com centenas de blogs e páginas sobre o tema, cursos, webinars e e-books, já estivéssemos todos a viver na Polinésia Francesa com os pezinhos a engelhar dentro de água. Mas não!

    O coaching meus caros, é como a educação das criancinhas… começa em casa. Todos nós temos grandes sonhos… mas também temos sonhos pequenos, e simples… E por isso, o melhor é começar por praticar em casa: o que é que quero fazer de diferente hoje, para estar mais perto amanhã de cumprir qualquer coisa… Nem que seja ir passear o cão à rua, ou fazer uma caminhada de 20 metros… vá lá, 25!

    Não vos vou massacrar aqui com a “Técnica Exclusiva Para Conseguir Tudo o Que Quer, em Apenas 3 Espirros!” Vão ao Google, procurem: Perguntas Poderosas; Crenças Limitantes; Desenhar Planos de Ação… peguem em toda a informação gratuita e disponível (porque graças aos céus, o coaching está na moda!) e apliquem isso em pequenas coisas do dia a dia. Em pequenas mudanças que queiram fazer na vossa vida, no vosso trabalho ou na vossa relação.

    Porque, na verdade, se vocês não tiverem o hábito incutido de se colocarem em primeiro plano, de se colocarem no centro das vossas ações, e de atuarem na vossa vida de forma estruturada, orientada e estratégica… não é um coach que vai fazer isso por vocês. Quando já conseguirem ter essa atitude nas pequenas coisas da vida, e estão perante um objetivo mais complexo, desejam uma mudança mais profunda numa determinada área de vida, então aí faz sentido procurar um coach que vos possa apoiar no processo.

    Vão lá ao Google… vão… E depois, um dia, falamos sim?